Em meados do século XIX, a Côte d’Azur ainda era uma terra selvagem coberta de matagais, pinhais e olivais.
Villa Les Cèdres foi construída em 1830 pelos Pollonnais, uma família judia que se dedicava ao comércio de tapetes em Nice. Na altura chamada de ‘Les Oiseaux’, a villa foi comprada em 1850 pelo presidente da câmara judeu de Villefranche-sur-Mer (de 1872 a 1900), David-Désiré Pollonnais, que ampliou a moradia. Na altura, a propriedade de 35 acres tinha um olival em funcionamento, e muitas dessas oliveiras ainda hoje estão vivas no terreno.

Os descendentes do presidente da câmara venderam a propriedade ao rei Leopoldo II, que ampliou os jardins que ainda hoje rodeiam a casa. O rei transformou este paraíso bucólico numa propriedade magnífica chamada “Les Cèdres”.

Foi em 1904 que o rei comprou a Villa Pollonnais. Nessa altura, os habitantes locais já estavam a ficar preocupados com a quantidade de terras que o rei estava a comprar, sobretudo porque ele costumava cercar as propriedades com arame farpado, impedindo as pessoas de entrarem livremente nos terrenos.
Depois de comprar a villa e os seus 15 hectares de terreno, o rei pediu ao seu arquiteto preferido, Aaron Messiah, para ampliar a villa. Isso incluiu ampliar a ala oeste original da villa e construir um edifício totalmente novo de três andares, rematado por um grande peristilo com pilares imponentes. Quando a ampliação ficou concluída e a propriedade foi repintada, ele rebatizou-a de “Les Cèdres”.

Uma estátua de bronze de Atena, envolta numa túnica de mármore, montava guarda à entrada principal. Lá dentro, o ambiente era decadente e ligeiramente desgastado pelo tempo, em sintonia com o apogeu da Belle Époque da propriedade: salões grandiosos, lustres, portas francesas e retratos do século XIX, de chão a teto, em molduras ornamentadas. A sua biblioteca com painéis de madeira guardava 3 000 livros sobre flora e naturalismo, incluindo uma edição de 1640 de um códice botânico, que hoje vale várias centenas de milhares de euros.
Embora tenham sido feitas grandes alterações no interior da propriedade, também houve mudanças enormes nos jardins. Sob a supervisão de Harold Peto e Jules Vacherot (que foi responsável pelo arranjo dos jardins da Torre Eiffel e dos Campos Elísios, em Paris), foi criada uma faixa de 2 km para o rei passear sem espectadores. Além disso, foi também escavada nas rochas uma piscina com 50 metros de comprimento.

Depois de todas as remodelações, a villa de luxo com 18 000 pés quadrados contava com 14 quartos, um salão de festas, um jardim de inverno, uma capela, estábulos e acres de jardins botânicos onde eram — e ainda são — cultivadas 20 000 espécies de plantas. Na verdade, a propriedade da Villa Les Cèdres continua a ser o maior jardim botânico privado do mundo. “É um verdadeiro tesouro, chamo-lhe o Louvre da botânica”, disse Franklin Picard, que, em 1999, publicou um livro de culto sobre «Les Cèdres».
O jardim tem como centro uma avenida principal que termina numa rotunda florida, ao pé de uma escadaria simétrica que leva à entrada da villa. A zona a noroeste do edifício tem quatro terraços decorados com canteiros de flores e estátuas. Na parte sudeste da propriedade, há um lago retangular pouco profundo, rodeado por canteiros com o brasão do rei e pequenos jardins de rosas e laranjeiras. A entrada do caminho que leva aos estábulos é emoldurada por um arco esculpido, colunas coríntias e treliças cobertas de videiras.

Por mais incríveis que fossem as suas propriedades, o rei Leopoldo II preferiu viver em Mónaco Em vez disso, Cap Ferrat tornou-se o lar da sua amante adolescente. Cap Ferrat era o local ideal para um romance ilícito, bem escondido dos olhares curiosos. O rei instalou a Blanche na antiga Villa Vial, em Passable, que passou a chamar-se “Radiana”, até que a ampliação da Villa Les Cèdres estivesse concluída.
Para ela, Les Cèdres deve ter parecido uma prisão dourada com vistas panorâmicas, perdida no meio de uma vegetação exuberante. A Blanche passava os dias sozinha na villa, à espera do seu amante real, que lhe proibia de sair ou de receber outras visitas. Foi na villa Les Cèdres que ela deu à luz um dos seus dois filhos ilegítimos.
Eis mais alguns detalhes sobre a história estranha deles: Um rei malvado, a sua prostituta adolescente e as moradias mais caras do mundo.

Após a morte de Leopoldo, Blanche Delacroix foi despejada da villa Les Cèdres, e o seu sobrinho, o rei Alberto I, tornou-se o novo proprietário. Em 1924, foi adquirida por Alexandre Marnier-Lapostolle, o criador do Grand Marnier.
A venda da empresa de bebidas alcoólicas Grand Marnier ao Gruppo Campari incluiu esta moradia. Apesar das notícias enganosas que dão a entender que se trata de uma propriedade no valor de mil milhões de euros, a moradia foi, na verdade, apenas uma pequena parte do valor total da aquisição da Grand Marnier.
Em 2019, o Gruppo Campari vendi a moradia ao homem mais rico da Ucrânia, o bilionário Rinat Akhmetov, por 200 milhões de euros (tinha sido há anos no mercado, no valor de mil milhões de euros). Depois de receber uma exigência, removemos o conteúdo sobre este oligarca, mas podes lê na Wikipédia sobre os seus negócios, dinheiro e contactos (…é sem dúvida uma leitura interessante!)
Queres saber mais? Aqui está um lista de moradias famosas, as celebridades que eram donas dessas casas e as coisas malucas que lá aconteceram.
